Veja bem, eu sonhei com o Ronald. E foi um sonho desses espertos, em que a gente saía pra comer cachorro quente na Lapa, no meio de um tiroteio, enquanto tocava 12:51 frenéticamente. Por um sonho desses, interpretei:
"Cara, preciso fumar maconha" - porque suburbanos cariocas não aparecem nos meus sonhos à toa.
Assim saí pra esperar um colega nigga - o qual, fisicamente, se assemelha muito com o Rios. Bem que vovó já dizia: "preto é tudo igual" - que com certeza saberia onde achar some pot e talicoisa. Não se espera menos de alguém que mora num lugar chamado Garimpo.
(Há de se abrir um parentêse aqui pra explicar que eu sou uma pessoa muito covarde, do tipo que nem sequer toma benflogin quando o médico manda tomar, de medo. Não se deixe enganar pelo meu sex appeal e meu estilinho Oscar Wilde. Eu não mereço ser citada na Uncyclopedia.)
Peguei minha caloi-rosa-bebê-1987, meu capacete da Barbie e me dirigi ao famigerado bairro. Praticamente havia entrado em um universo paralelo. Cidade de Deus não é apenas mais um filme que não ganhou um Oscar, mas sim uma realidade naquele lugar. Quando me aproximava do portão, sendo seguida pelos olhos de, no mínimo, quarenta e dois neguinhos que não tiveram adesivos "Papai, não esquece a minha Caloi" para colar pela casa, abre-se a Porta da Esperança:
-Aeee Sam, vai um cachorro quente?
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